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Falta de recursos financeiros é a grande vilã das startups brasileiras

Para não desistir do próprio negócio, startups buscam estratégias de como sobreviver sem investimento

No Brasil, cerca de 30% das startups “morrem” por falta de dinheiro, segundo pesquisa realizada pelo Sebrae. Na verdade, o acesso ao capital é um dos grandes desafios para começar um negócio já que é praticamente impossível tirar uma ideia do papel sem um valor razoável de dinheiro.

A pesquisa identificou que os principais motivos que levam essas empresas a fecharem as portas são acesso ao capital (42%), dificuldades para entrar no mercado (21%) e problemas na gestão do negócio (12%). Apenas 22% das startups mapeadas pela instituição receberam investimentos privados. Mas e o restante dessas empresas, como se mantém vivas no mercado?

Andando com as próprias pernas

A expressão “bootstrapping” (alça de botas, em português), muito comum no mercado financeiro, surgiu a partir de uma metáfora que dizia “puxar-se para cima pelas próprias alças de botas” – o bordão era utilizado para descrever tarefas impossíveis. Com o tempo, o termo passou a ser empregado em situações que funcionam sem ajuda externa, como no caso das startups, por exemplo.

Startups que fazem bootstrapping não possuem investimento externo e atuam com recursos próprios. A entrada de capital surge a partir dos primeiros clientes – geralmente, startups que empregam esse método estão dando os primeiros passos.

Se sua startup é novata no mercado e ainda não possui aporte financeiro, existem duas formas de empregar o bootstrapping: double journey ou stocking. Na double journey, ou dupla jornada, o empreendedor mantém outro emprego paralelo a seu negócio. O método é uma boa alternativa para os mais cautelosos que não querem abandonar tudo de uma vez só. Já no método stocking o empreendedor cria uma poupança, geralmente a partir da própria renda. Quando a reserva atinge um valor consideravelmente seguro aí sim o empreendedor dá início definitivamente ao próprio negócio.

A Cobre Fácil, startup de serviços financeiros, passou por um período de bootstrapping assim que surgiu. Paulo Henrique, CEO e cofundador da marca dá algumas dicas para quem quer fazer o negócio vingar com poucos investimentos: “Quando você trabalha em alguma empresa, é um funcionário normal, por exemplo, e não tem capital suficiente para trabalhar apenas no seu próprio negócio, então o ideal é continuar com seu emprego e trabalhar com o seu negócio nas horas que sobram (afinal, da meia-noite às seis da manhã ninguém faz nada”, brinca o empresário.

“Mas se você, como funcionário, conseguiu juntar um capital considerável aí sim pode sair do seu emprego – mas esse capital tem que ser o suficiente para manter a empresa e você por, pelo menos, um ano”, alerta Paulo Henrique. A Cobre Fácil, que no começo não possuía muitos recursos, está avaliada atualmente em R$ 10 milhões – provando que com muito esforço do empreendedor e de seu time inicial é possível chegar longe.

Muito mais do que dinheiro

Dos poucos investimentos que as startups possuem, a forma mais comum mapeada pelo Sebrae é chamada de “anjo” (73%). Investidor-anjo é uma pessoa física que faz investimentos com seus próprios recursos em empresas novatas com alto potencial de crescimento, como as startups.

Marcelo Salomão, empresário, diretor executivo da Gigatron Franchising e demais empreendimentos, também atua como investidor-anjo em empresas que desenvolvem produtos tecnológicos voltados ao varejo, principalmente. “Atuo diretamente no capital semente, em negócios que estão começando. A participação do investidor-anjo é fundamental, pois ele consegue alavancar o negócio com mais velocidade”, afirma o investidor.

Salomão possui sua própria tese de investimento antes de apostar em algum negócio: “Tenho uma tríade: escalabilidade, recorrência e paixão. O produto/negócio deve possuir essas três características”. Em termos enxutos, escalabilidade é a capacidade que uma empresa (ou sistema, de forma geral) tem de crescer de maneira uniforme.

Esse tipo de investidor, na maioria dos casos, tem uma parte minoritária no negócio (não é um sócio) e não tem posição executiva na empresa. Por conta disso, investidores-anjo não arcam com dívidas tributárias nem possuem responsabilidades legais com o negócio, conforme sustenta a Lei Complementar 155/2016.

Além de ajudar financeiramente, o investidor-anjo atua como um “mentor” na empresa já que traz experiência e conhecimento ao negócio, fatores que aumentam a chance da startup emplacar no mercado e atrair novos investimentos, exatamente como atua Salomão: “Além do investimento em dinheiro, dou mentorias e suporte para que a empresa cresça rapidamente, o que é tão importante quanto o dinheiro, pois com a experiência do mentor é possível cortar caminhos e construir conexões”. Essa assistência é conhecida como smart money, ou dinheiro inteligente – o investidor-anjo, por ser experiente e conhecer melhor o mercado, sabe exatamente como agir.

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