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MELHOR PEDRAS DO QUE EGOS NO MEIO DO CAMINHO

MELHOR PEDRAS DO QUE EGOS NO MEIO DO CAMINHO

De todas as situações complexas que vivo em minha prática no dia a dia, poucas são tão complicadas de serem resolvidas quanto a presença de uma postura regida pela inflexibilidade por parte dos tomadores de decisões em se criar um espaço – seguro – para reflexão que vá além de planilhas de Excel.

Ouço, com bastante frequência, que é preciso “coração” para ser um bom gestor, mas, infelizmente, vejo muito pouco as pessoas o consultarem de forma franca…

Entendo que as dinâmicas de salas de reuniões podem ser intimidadoras; e trazer um tópico como esse pode te colocar em uma posição potencialmente delicada diante de seus colegas de trabalho.

Contudo, quando deixamos de falar sobre assuntos que uma planilha de Excel não contempla, estamos – tomadores de decisões – deixando de fazer o nosso trabalho de forma profissional. Até porque não somos máquinas no sentido em que entendemos ser um computador, nós transitamos e vivemos entre o um e o zero.

Penso muito sobre situações dessa natureza e como elas podem gerar uma série de dinâmicas disfuncionais não só para a empresa, como também para as pessoas que trabalham nela e para ela. Em meio a todo esse ambiente de crise, falar de coração, para muitas organizações, só se for no contexto de “vestir a camisa” ou algo que se reduz a somente isso. Uma pena!

Porém, existe, pelo menos em minha percepção, uma outra forma de consultar o coração em momentos difíceis: entender que sempre olhamos para dentro antes de olharmos para fora.

O que isso quer dizer? Que a bússola que usamos para navegar pela vida não necessariamente aponta para o Norte, mas sim para a percepção de Norte individual de cada um de nós.

Para uns, essa resposta é algo positivo no sentido que cria um ambiente de múltiplas percepções e perspectivas. De fato, ter essas diferentes camadas e dimensões é algo que pode ser bastante interessante, se, e somente se, as pessoas reconhecerem que elas fazem isso rotineiramente e estão nesse grande caldeirão de “Nortes” onde devem e podem conviver de forma respeitosa umas com as outras.

Porém, geralmente, os problemas começam a surgir quando o “meu” Norte é entendido como mais certo do que o Norte do vizinho. Aí, “o caldo começa a engrossar” e, obviamente, não em um sentido positivo.

Acredito que parte dessa leitura comparativa/competitiva vem simplesmente do fato que precisamos proteger o nosso ego – que percebemos como sendo a nossa identidade.

Não compreender, ou melhor, não aceitar que fazemos isso boa parte do tempo é algo que torna um profissional menos producente, no sentido que ele se perde ao confundir as suas prioridades internas com as prioridades da organização como um todo.

Dentro do contexto dos tomadores de decisões, essa mecânica pode nos tornar muito ineficazes, pois, quando optamos por não criar esse espaço para olhar para o nosso ego, simplesmente passamos a ver o que queremos, e não o que está diante de nós.

Muitas empresas deixaram e continuam a deixar de existir justamente como consequência dessa escolha.

Em sua próxima reunião, reflita sobre o que realmente está dificultando com que a sua organização melhore nesses tempos difíceis: são as pedras da crise ou os egos no meio do caminho?

Boa reflexão, bons negócios e até breve!

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Gabriel Machado – Strategic advisor, escritor e fundador da DODAKHAM.

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