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Paola, uma venezuelana que representa a força da mulher empreendedora

A coragem de uma mulher com mentalidade de campeã, que mesmo diante das maiores dificuldades tem a humildade de aprender e tentar novamente.

A tensão na Venezuela aumenta diariamente. Com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o país saiu da condição de nação com o maior PIB per capita da América do Sul e está a caminho de se transformar em um dos países mais pobres do subcontinente, com cidadãos passando fome e morrendo por falta de medicamentos e outros recursos necessários para a vida.

Tal situação tem levado milhares de pessoas a deixar residências, famílias e amigos para trás e partir para países como Colômbia, Peru e Brasil, em busca de seus sonhos e novas oportunidades. É o caso de Paola Ramirez, engenheira industrial, que há cinco anos deixou o país, após perceber que a situação por lá estava cada vez mais caótica e sem perspectivas de melhora.

Diante de tantos obstáculos, ao invés de se vitimizar e mergulhar num poço de sentimentos ruins, mesmo com dor no coração, por deixa seu país, veio para o Brasil e passou a protagonizar uma história de coragem, força, determinação, disciplina e muita garra ao trilhar uma jornada empreendedora no Brasil.

Ao chegar, primeiro dedicou-se ao estudo do idioma e da cultura, para compreender o país que acabara de chegar e ao mesmo tempo identificar alguma oportunidade de negócio. Após esse estágio, optou pela Gastronomia e, assim, novamente debruçou-se sobre os estudos, agora para entender o universo do empreendedorismo no Brasil e, é claro, também entender sobre o novo ramo de atividade.

E os desafios não pararam por aí. A ideia era produzir quitutes típicos venezuelanos, um negócio com poucos concorrentes, por isso apontado como uma grande oportunidade de negócio. Mas faltavam-lhe os ingredientes originais para as receitas, e não tinha onde compra-los.

A solução? Produzir também as matérias-primas, como a farinha de milho branco pré-cozida, o queijo tipicamente venezuelano, entre outros. O que poderia ter sido motivo para desistir e inviabilizar o negócio tornou-se uma oportunidade, pois hoje ela pode fornecer tais matérias-primas para outros empreendimentos que queiram incluir a culinária venezuelana em seus cardápios.

O carro chefe do seu negócio é o Tequenho, um “bolinho” frito no formato de um croquete pequeno, em que o recheio é envolto por uma massa fina. Muito gostoso, por sinal! No início, com a intenção de testar se o produto seria aceito pelos brasileiros, ela vendia a iguaria congelada para bares, restaurantes e buffets; depois montou um delivery; na sequência um food truck; e hoje tem uma loja – que se chama “Bom Tequenho” – num bairro nobre de São Paulo.

O slogan estampado na parede é: “Aqui és chévere vale”, uma expressão venezuelana que significa: “Aqui é muito legal, muito bacana”. O ambiente é extremamente limpo, organizado, com decoração e cores típicas do país de origem, além de ser muito acolhedor, principalmente pela simpatia, carisma e sorriso de Paola e outros colaboradores venezuelanos.

Ela reconhece que empreender no Brasil também não tem sido tarefa fácil. E afirma que o maior desafio é lidar com a saudade dos familiares e amigos que continuam por lá em condições precárias, para quem Paola “tira o chapéu”.

Por fim, com o proposito bem definido de se transformar em uma marca referência da culinária venezuelana no Brasil, sempre grata aos brasileiros pela acolhida e com a esperança de um futuro melhor para seus compatriotas, Paola vem mostrando na prática o que é ter um espírito empreendedor aliado à força e a coragem de uma mulher com mentalidade de campeã, que mesmo diante das maiores dificuldades, tem a humildade de aprender e tentar novamente.

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Rodrigo Mancini
Rodrigo Mancini é economista, Mestre e Doutor em geografia econômica, empreendedor e empresário.

 

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