Negócios

Produtora investe em equipe 100% feminina nas áreas técnicas do audiovisual

Também há grupos formados por homens e mulheres que trabalham em igualdade de direitos e oportunidades. Elas ocupam funções desde operação de câmera a motorista.

Trabalhar com audiovisual no Brasil é entrar em um cenário majoritariamente masculino. De acordo com o estudo Emprego no Setor Audiovisual (2018), da Agência Nacional de Cinema (Ancine), foram gerados 91.834 mil empregos em 2016. Desse montante, 60% das vagas correspondem aos homens e 40% às mulheres. Por regiões, a maior participação foi no sudeste com 61,1%, seguido do nordeste com 12,5%, depois o sul com 11,5% e na lanterna ficaram o centro-oeste e norte do país com 7,1% e 5,8%, respectivamente.

Embora a participação feminina ainda seja inferior e gere preocupação, um fato animador é que esse meio está mudando aos poucos, e as mulheres estão conquistando seu espaço em empresas que respeitam a igualdade de gênero e as valorizam como profissionais.

Para combater o preconceito, nada mais adequado que o exemplo. Isso é o que pode ser visto na Uzumaki Comunicação, agência digital e produtora de vídeos que possui mulheres e homens trabalhando sem distinção de valores e com oportunidades de igual para igual.

A empresa soma em seu portfólio diversas produções que evidenciam a força dessas profissionais, entre as quais se destaca a gravação de uma série produzida em parceria com a Asics com operação de três câmeras realizada por mulheres. Em transmissões ao vivo em parceria com o grupo DPSP, feitas em várias capitais do Brasil, como Rio de Janeiro e Salvador, a equipe local — operadoras de câmera, produtoras e motoristas — era toda feminina.

Gislaine Miyono, Coordenadora de Produção, destaca que em seu dia a dia a valorização da mulher no audiovisual é vivida na prática. Ela acredita que para criarem conteúdos que sejam verdadeiros, abrangentes e democráticos, a equipe também precisa ser.

“Produzimos uma média de 20 vídeos por mês, e cerca de 30% com contratação de profissionais freelancers. Quando o conteúdo é específico, a equipe também é. Em um trabalho com o canal “Nunca Te Pedi Nada” para o mês das mulheres, em 2017, ou na parceria com o “Think Olga”, para a realização de animações que falam sobre mulheres nas eleições 2018, a equipe foi 100% feminina (e diversa)”, afirma.

Embora hoje atue em uma produtora em que as profissionais são valorizadas, Gislaine Miyono diz que em experiências anteriores presenciou muitos comentários negativos, como “Não gosto de contratar mulher porque chora”, “não aguenta carregar peso”, “não gostam de tecnologia”, “mulher tem que fazer produção, porque tem mais ‘jeitinho’”.

A participação feminina no audiovisual ainda é pequena, mas existe. Tem nome, sobrenome e realiza grandes produções com muita técnica, agilidade e sensibilidade. Segundo Miyono não há nada que impeça o trabalho: é preciso oportunidade. “A mulher pode e deve assumir o seu protagonismo na sociedade brasileira, bem como, em sua área profissional. Estudamos e trabalhamos para fazer o nosso melhor e lutamos para que nos deixem fazer. Buscamos o equilíbrio de gênero e a igualdade de direito, apenas”, finaliza.

Funções ainda distantes

 

Estudo sobre a “Participação feminina na produção audiovisual brasileira (2016)”, também realizado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), constatou que a direção de fotografia, direção e roteiro são as áreas em que as mulheres menos têm oportunidades. Dos 1.655 trabalhos de direção de fotografia realizados no país, somente 8% foram feitos por profissionais do sexo feminino. Na direção de 2.583 produções, apenas 17% eram mulheres, e de 1.836 roteiros, só 21% foram assinamos por elas.

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