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Projeto de alunos do Colégio Dante Alighieri é escolhido pela Nasa para ir à Estação Espacial Internacional em 2018

"Quando era pequeno desejava trabalhar no espaço e algumas experiências que vivi foram fundamentais para que eu pudesse seguir este caminho..."

Escolhido entre 72 propostas, projeto de alunos do sétimo ano levará experimento que testa viabilidade de construção de estruturas sólidas em ambiente de microgravidade; a ideia é contribuir com a logística envolvida nas pesquisas espaciais e a inspiração do grupo é a de que o ser humano possa vir a colonizar planetas como Marte.

Alunos paulistanos de 12 e 13 anos que desenvolveram projeto espacial ligado à construção e fabricação de peças no espaço foram escolhidos para enviar seu experimento à Estação Espacial Internacional (ISS) em um foguete da empresa americana SpaceX no primeiro semestre de 2018. A bordo da ISS, o projeto “Cimento Espacial” será executado por um astronauta da Agência Espacial Americana (Nasa) e depois de algumas semanas será trazido de volta à Terra para análise dos resultados.

O vencedor foi divulgado nesta quinta-feira (14) pela Nasa. Os autores do projeto são quatro  estudantes do sétimo ano do Colégio Dante Alighieri, uma aluna do sétimo ano do Projeto Âncora (Cotia) e um aluno da oitava série da Escola Municipal Perimetral, na zonal Sul de São Paulo. A questão que este grupo quer descobrir é: de que forma a microgravidade afeta o processo de endurecimento do cimento misturado com plástico reciclado e água. A hipótese considerada pelos autores deste experimento é de que o cimento com o plástico verde irão se comportar de forma semelhante ao que acontece na Terra. Se a hipótese for confirmada, abre-se uma possibilidade de que se tenha no espaço mais equipamentos e estrutura de forma a contribuir com a logística envolvida nas pesquisas espaciais. 

Inicialmente a ideia era enviar apenas cimento à ISS, mas alunos decidiram acrescentar a mistura de plástico verde, em uma parceria com a Braskem, que produz este polímero. O  grupo também apurou que a empresa Made In Space já possui uma impressora 3D e uma recicladora do plástico verde na ISS, o que facilita na obtenção deste material, um plástico reciclável que responde bem na microgravidade, estará disponível em abundância e pode baixar o custo na eventual fabricação de materiais. Ao levantar a possibilidade da produção avançada de objetos no espaço no experimento, utilizarão o material como uma provável matéria-prima. Uma das premissas do projeto é a da possível ocupação de outros planetas do sistema solar, como Marte, algo que se torna uma realidade cada vez mais próxima. 

Para testar esta hipótese, dois tubos iguais serão preparados, um irá à ISS e outro ficará na Terra, para controle. Cada um será dividido em duas partes por presilhas, uma com água e outra com cimento misturado ao plástico verde. Chegando na ISS, um astronauta deverá retirar a presilha, chacoalhar o tubo para que a água se junte à mistura do cimento e do plástico verde e, por fim, deixar o experimento em repouso. Ao término da expedição (que durará aproximadamente 30 dias), o tubo retornará à Terra e será comparado com o tubo usado como controle.

O projeto começou em setembro, quando 335 alunos do sétimo ano do Dante e escolas convidadas desenvolveram 72 projetos. O anúncio é a etapa final da Missão XII, parceria do Projeto Garatéa com o colégio Dante Alighieri e instituições parceiras convidadas. É a primeira participação do Brasil no Student Spaceflight Experiments Program (SSEP), programa do Centro Nacional para Educação Científica para Terra e Espaço (NCESSE) que está em sua 12a edição, por meio do qual o governo americano quer estimular a pesquisa espacial entre jovens. A parceria do Dante com a Missão Garatéa, um dos maiores consórcios espaciais brasileiros da atualidade, veio a convite de seu coordenador, o engenheiro espacial Lucas Fonseca, que propôs ao colégio que organizasse e aplicasse o programa da SSEP para 300 alunos do colégio – todos os estudantes do sétimo ano. A parceria Garatéa-Dante estendeu o convite a alunos da rede pública, agregando a participação de outros 35 alunos da Escola Municipal Perimetral e da ONG Projeto Âncora, de Cotia. Desde 10 de setembro, quando a Missão XII foi anunciada, até hoje, estes jovens vêm se reunindo pelo menos uma vez por semana para suas atividades, utilizando a infraestrutura do Dante – laboratórios, salas e a orientação de professores, que os vêm apoiando no planejamento e realização dos experimentos. 

“Todo o processo, desde o anúncio, a inscrição dos projetos, as seletivas, tudo isso foi uma rica oportunidade para estimularmos o pensamento científico, a criatividade e as atitudes de colaboração e de preocupação com a valorização da ciência e tecnologia como ferramentas para o desenvolvimento que o Dante acredita. Tratam-se de projetos que envolvem e construção de uma questão-problema, de uma hipótese, de um objetivo, pelos jovens com foco em desenvolver futuros estudos mais apurados em áreas essenciais à sociedade como a saúde, o meio ambiente e as ciências. Trazer o pessoal da EMEF Perimetral e do Projeto Âncora foi importante não só para o Dante, que tem no protagonismo de alunos e na colaboração uma agenda prioritária, mas para nossos alunos, que puderam trocar e conviver com pessoas de outras escolas e referências, e para os alunos convidados, que também puderam ganhar com a experiência. Foi um orgulho para nós podermos proporcionar isso a todos eles”, afirma Sandra Tonidandel, Coordenadora-Geral Pedagógica do Dante Alighieri, que está à frente deste projeto no colégio. 

“Quando era pequeno desejava trabalhar no espaço e algumas experiências que vivi foram fundamentais para que eu pudesse seguir este caminho. Por isso, ver tudo o que conseguimos proporcionar a estes alunos é gratificante. Vejo um pouco de mim em cada um deles que agora tiveram uma oportunidade muito rica de experimentação, de descobertas e várias portas que acabaram sendo aberta para que sigam construindo suas histórias de vida. Vejo que estamos em um momento crucial da ciência no Brasil, e despertar o interesse das crianças pela ciência é um processo importantíssimo para garantirmos a continuidade de todo um trabalho exercido no país”, diz Lucas Fonseca sobre o Missão XII.

Inicialmente, os 72 projetos foram apresentados pelos alunos a um júri técnico de 80 pesquisadores das instituições parceiras do projeto. Esta avaliação juntamente com uma votação aberta ao público, escolheu, dia  21 de outubro, 10 finalistas. A partir deste resultado, os dez grupos escolhidos passaram por um programa de qualificação de seus projetos, detalhando-o e encorpando-o sob coordenação de Lucas Fonseca, para nova triagem pela banca, que anunciou em 16 de novembro os três primeiros colocados. Desde então, os três foram avaliados pelos pesquisadores americanos que escolheram o projeto “Cimento Espacial”.

Sobre o Colégio Dante Alighieri – Fundado pela comunidade italiana, o Dante é um colégio de 106 anos que tem conseguido de forma eficiente unir sua tradição à inovação. Atende alunos desde os três anos até a terceira série do Ensino Médio. É uma das escolas que oferece o curso high school em São Paulo. Com seu programa de pré-iniciação científica estimula a investigação e resolução de problemas sendo um dos mais premiados do Brasil em competições científicas internacionais. A abordagem da tecnologia e da experimentação científica começa já na educação infantil. Conta com infraestrutura atualizadíssima em termos de tecnologia, literatura, artes e ciências – com um dos mais proeminentes museus de História Natural escolares do Brasil. A proposta educacional se ampara na excelência do ensino para a formação de um indivíduo com consciência de suas possibilidades e limitações, munido de uma cultura que lhe permita conhecer e compreender o mundo e refletir sobre o papel do homem.

 Sobre a Missão Garatéa – Esforço nacional formado por um consórcio de institutos, universidades e empresas que busca difundir a ciência na sociedade brasileira utilizando o espaço como elemento motivador. Sua principal atividade, um voo de uma sonda lunar agendada para 2021, acabou servindo como inspiração e desdobramento para outras frentes, como projetos educacionais similares à Missão XII. O convênio para a Estação Espacial, em seu primeiro ano, começará a ocorrer anualmente a partir de 2017.

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