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Como o seu feedback (ou a ausência dele) pode impactar a vida de alguém

Se fizéssemos uma lista das palavras mais usadas no mundo corporativo, provavelmente, o termo “feedback” estaria entre uma delas. Tudo bem que em alguns lugares, infelizmente, não se ouve tanto sobre isso, mas já é comprovado o quanto que essa prática – ou a ausência dela – faz diferença nas relações construídas no trabalho ou até mesmo em nossas vidas pessoais.

 

Eu percebi isso quando, há algumas semanas, eu parei para pensar sobre as minhas mudanças enquanto profissional e não é que a maior parte delas veio após ter recebido alguma crítica, positiva ou corretiva, no trabalho? Sim, esses tipos de comentários nos fazem crescer, sem dúvidas. Mas eles também podem nos impactar negativamente, seja pela falta de tato de quem os faz, ou, simplesmente, pela inexistência deles.

 

Pensando nessa importância, já faz um tempinho que eu queria escrever em minha coluna aqui no Cobizz, sobre alguns aspectos importantes que influenciam na forma como elogios, críticas ou correções podem impactar a vida de outras pessoas.

 

Tão importante quanto “o que” você diz é “como” você diz

 

Existem inúmeras formas de se falar a mesma coisa e quando a nossa missão é dar um feedback, é válido lembrar que a maneira como dizemos algo interfere muito na forma como a nossa mensagem é recebida.

Parece uma coisa óbvia, mas, na prática, é fácil encontrar pessoas que até podem ter a melhor das intenções ao falarem algo, mas pecam quando precisam dialogar. Eu sempre tive essa dificuldade e venho aprendendo que a escolha correta do tom de voz, da abordagem e das palavras importam tanto quanto a própria mensagem.

É possível tecer um comentário corretivo, mas construi-lo de uma forma que a outra pessoa consiga recebê-lo de forma positiva, por exemplo. Da mesma forma que é possível complicar uma situação que seria simples, se o “como dizer” fosse levado em consideração. Aliás, eu acredito que essa falta de cuidado esteja relacionada ao próximo tópico deste artigo.

 

Pense no poder que você tem

Quanto mais leio ou converso com colegas e amigos sobre esse assunto, mais eu tenho a impressão de que muitos líderes não entendem ou não tem ciência do poder que possuem. Aliás, mesmo que você não exerça uma posição de liderança, provavelmente, a sua opinião tem ou já teve importância para algum colega de trabalho. E, sim, esse poder de avaliar um projeto ou performance de outra pessoa é algo que precisa ser absorvido com mais cuidado, afinal, a sua opinião tem um peso.

 

Bom, se você tem esse poder e entende isso muito bem, provavelmente, o seu cuidado ao dar qualquer feedback será muito maior e isso fará diferença para quem o recebe.

 

Lembre-se de quem tem gente que se importa

 

Sim, as pessoas se importam com feedbacks e não somente os mais técnicos, mas os que dizem respeito aos relacionamentos interpessoais e características emocionais. É uma forma de saber se a relação de trabalho que está sendo construída está dentro do esperado ou não.

 

Uma recente pesquisa sobre a geração Y, feita pela Deloitte e aplicada a mais de dez mil profissionais espalhados pelo mundo, diz que millennials se importam em desenvolver no trabalho habilidades interpessoais, comportamentais e de confiança, coisas que podem ser desenvolvidas a partir da cultura do feedback.

 

Vale lembrar que o fato de as pessoas gostarem de receber “retornos” não significa, necessariamente, que elas precisam ou querem ouvir apenas elogios. Críticas e correções também podem ser bem-recebidas se feitas de forma inteligente.

 

Aliás, de acordo com a Harvard Business Review, as pessoas estão cada vez mais abertas a comentários corretivos, desde que eles sejam feitos de maneira construtiva. O que acontece é que nem sempre as pessoas conseguem construi-los da forma correta. Obviamente que a autocrítica profissional é algo importante, mas, em um ambiente de trabalho, muitas vezes, você pode ajudar outra pessoa a perceber as suas falhas de forma mais fácil, principalmente quando você exerce uma função de liderança.

 

Por fim, a falta de feedback também faz diferença

 

Para elucidar esse tópico, quero utilizar um exemplo clássico. Quantos de nós já não ficamos frustrados por não receber um retorno após uma entrevista de emprego? Inclusive, essa é uma reclamação bem comum no LinkedIn e sempre vejo pessoas dizendo sobre o quanto não é legal “ficar no escuro”, pois é como você não conseguisse ver o que você fez ou está fazendo.

A lógica da falta de feedback é bem parecida com o que eu disse acima. Muitos profissionais se sentem incomodados com a situação, pois é como se o trabalho realizado não fosse o suficiente para gerar um retorno. Além disso, existe o fato de que outras opiniões podem nos ajudar a enxergar aspectos que não perceberíamos sozinhos.

Claro que a forma como esses retornos são feitos dependem de empresa para empresa, cargo para cargo ou de tantas outras variáveis, porém, se esse tipo de cultura faz diferença para a sua empresa, mas, ainda assim, ela é ausente, as chances de se ter profissionais frustrados são maiores.

Eu acompanho de perto o Love Mondays, site que permite conhecer um pouco mais das empresas, pelas avaliações e comentários dos funcionários, e posso afirmar que é comum encontrar “a falta de feedback” como um dos grandes problemas identificados por alguns colaboradores de determinadas empresas. O que eu me pergunto é: se estamos falando de algo tão importante, por que ainda muitas lideranças/empresas não adotaram (da forma correta) essa prática?

 

Tatiane Silva é Publicitária, Community Manager e escritora de gaveta nas horas vagas. Há cinco anos vem se dedicando ao mundo das mídias sociais e adora escrever sobre marcas, marketing digital e tecnologia, sempre de um ponto de vista humanizado.

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