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A crise, o tempo e o prejuízo potencializado

"Precisamos compreender e internalizar que "sair do jogo" na hora certa pode ser melhor do que permanecer nele e perder de uma forma ainda pior."

[GABRIEL MACHADO] A crise, o tempo e o prejuízo potencializado

Muito tem se falado e escrito sobre o tema “crise”. Faz sentido, uma vez que estamos vivendo as reverberações de uma – especialmente, aqui no Rio de Janeiro. Contudo, tenho escutado pouco sobre uma de suas dimensões-chave: o esmagamento do nosso tempo.

Vejo as pessoas falando sobre as dificuldades de conquistar mais clientes, vender mais, aumentar a presença no mercado, que não é possível “enxugar” mais os custos e, claro, o enorme desafio de aumentar o lucro. Esses são objetivos válidos e que em tempos normais já são por si só bem desafiadores; quando adicionamos o elemento “crise”  ao mix, a realidade fica ainda mais complexa.

Sem dúvida, pensar em como equacionar todos esses pontos mencionados acima faz todo o sentido. Porém, vejo que as pessoas envolvidas nessas operações – de forma direta ou indiretamente -, não estão levando em consideração como a crise está “infiltrada” na agenda diária. O que quero dizer com isso?

Que “a crise rouba o tempo que não temos” – como diria o meu pai.

Geralmente, o tempo de vida de uma empresa está ligado, de uma forma ou de outra, ao seu fôlego financeiro. Ou seja, o quanto ela consegue aguentar com os recursos que têm somado a sua capacidade de fazer mais dinheiro.

De certa forma, a crise evidencia uma das maiores fragilidades de uma empresa, a falta de provisionamento deliberado para épocas de baixa. Sim, a falta de dinheiro é algo complicado, mas muitas vezes não é “a” causa, mas sim um sintoma.

A crise coloca em xeque essa fragilidade e, muitas vezes, diminui drasticamente a sua possibilidade de reagir, pois encurta ainda mais o tempo para alguma reação. Quando isso acontece, temos uma situação em potencial grave para a empresa. Mesmo que ela passe a entender o problema e descubra como consertar a situação, ela não tem mais margem para fazer algo. Descobrir a resposta nos últimos minutos da prova já não faz tanta diferença…

Mas o que faz diferença, então?

Saber quando é hora de sair do jogo e quando é para tentar virar o jogo levando em consideração que o nosso tempo para pensar e agir é BEM mais curto do que gostaríamos (e sentimos que precisamos)

Sei que vivemos em um contexto onde desistir não faz parte da nossa cultura. Que pena! Ter essa crença enraizada pode, em determinadas situações, ser muito prejudicial. Precisamos compreender e internalizar que “sair do jogo” na hora certa pode ser melhor do que permanecer nele e perder de uma forma ainda pior.

É evidente que tanto a decisão de sair quanto a de ficar não são triviais – ainda mais quando estamos com a “corda no pescoço”, mas é algo que precisa ser encarado e colocado em primeiro plano. Essa atitude de tornar evidente todas as possibilidades pode não só salvar a vida da sua empresa, como em uma situação mais extrema pode salvar a sua vida de fato ou de alguém que você ame.

Por isso, mantenha sempre no seu radar todas as possibilidades e possíveis consequências para uma tomada de decisão dessa magnitude. Como já diz aquela máxima, nenhum CNPJ vale um AVC. Dessa forma, atenção com o esmagamento do tempo que a crise pode proporcionar e, consequentemente, diminuir o seu tempo para responder a uma situação sensível como essa.

Boa reflexão, bons negócios e até breve!

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Gabriel Machado – Strategic advisor, escritor e fundador da DODAKHAM.

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